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Como escolher o melhor empréstimo

Aprenda a comparar empréstimos pelo CET, prazo, parcela, custo total e condições do contrato, além de identificar riscos, golpes e cuidados antes de contratar crédito.

Por Administrador 10 min de leitura

Escolher um empréstimo não é encontrar uma opção “melhor para todo mundo”. A alternativa mais adequada depende do motivo do crédito, da capacidade de pagamento, do prazo, das garantias envolvidas e, principalmente, do custo total da operação.

Antes de contratar, vale comparar propostas em condições equivalentes e entender o que está por trás da parcela. O Banco Central do Brasil orienta o consumidor a observar o Custo Efetivo Total (CET), que reúne juros e outros encargos e despesas da operação.

Quando faz sentido considerar um empréstimo?

O crédito pode ser útil quando resolve uma necessidade concreta sem comprometer despesas essenciais. Pode ser o caso de uma emergência, de uma compra necessária que não pode ser adiada ou da troca de uma dívida mais cara por outra com custo total menor, desde que a nova contratação realmente melhore o fluxo financeiro.

O primeiro filtro não é “quanto o banco libera?”, mas “quanto eu preciso e quanto consigo pagar com segurança?”. Contratar um valor maior apenas porque está disponível aumenta a dívida e os juros pagos ao longo do tempo. A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon/MJSP) destaca que a legislação brasileira passou a tratar expressamente de crédito responsável, educação financeira e prevenção do superendividamento.

Perguntas para responder antes de contratar

  • Qual é a finalidade do dinheiro?

  • Qual é o menor valor que resolve essa necessidade?

  • Quanto sobra no orçamento depois das despesas essenciais e dos compromissos já assumidos?

  • Minha renda é estável ou varia bastante ao longo do mês?

  • Tenho reserva para imprevistos?

  • A parcela continuaria cabendo no orçamento se surgisse uma despesa inesperada?

  • O contrato exige algum bem como garantia?

  • Qual é o CET e qual será o total pago até o fim?

Como estimar uma parcela que caiba no orçamento

Comece pela renda líquida efetivamente recebida e subtraia moradia, alimentação, transporte, saúde, contas da casa, outras dívidas e despesas recorrentes. Em seguida, reserve algum espaço para gastos variáveis e imprevistos. O valor que restar é um limite teórico, não uma autorização automática para assumir uma parcela desse tamanho.

Uma forma prudente de testar o orçamento é simular o pagamento por alguns meses: se a parcela pretendida fosse debitada hoje, as contas essenciais continuariam em dia? Se a resposta depende de usar cheque especial, cartão rotativo ou atrasar outra conta, o novo empréstimo tende a aumentar a pressão financeira.

Não existe um percentual único de comprometimento de renda que sirva para todas as famílias. O mesmo valor de parcela pode ser administrável para uma pessoa e apertado para outra, porque os custos fixos e a estabilidade de renda são diferentes.

Taxa de juros e CET não são a mesma coisa

A taxa de juros é a remuneração cobrada pelo uso do dinheiro emprestado. Já o Custo Efetivo Total (CET) representa, em uma taxa percentual anual, o conjunto dos valores cobrados do consumidor na operação. A Resolução CMN nº 4.881/2020 disciplina o cálculo e a informação do CET nas operações abrangidas pela norma.

Dependendo do contrato, o CET pode refletir juros, tarifas, tributos, seguros e outras despesas previstas. Por isso, uma proposta com uma taxa de juros mensal informada menor pode ter CET maior do que outra com uma taxa um pouco maior.

O Código de Defesa do Consumidor, com as alterações da Lei nº 14.181/2021, determina que o fornecedor informe previamente o CET e a descrição dos elementos que o compõem, além do montante das prestações e de outras condições relevantes.

Compare prazo, parcela e total pago

Alongar o prazo costuma reduzir o valor de cada prestação, mas pode aumentar o total de juros pagos porque a dívida permanece por mais tempo. Por isso, comparar apenas a parcela pode levar a uma conclusão enganosa.

Ao colocar propostas lado a lado, use o mesmo valor líquido recebido e o mesmo número de parcelas. Depois compare taxa mensal, CET anual, encargos, existência de garantia, valor da prestação e total desembolsado.

Exemplo fictício de três propostas para R$ 15.000 líquidos em 24 parcelas

Item

Oferta A

Oferta B

Oferta C

Valor recebido

R$ 15.000,00

R$ 15.000,00

R$ 15.000,00

Número de parcelas

24

24

24

Taxa mensal

1,49% a.m.

1,65% a.m.

1,35% a.m.

Parcela aproximada

R$ 757,97

R$ 761,97

R$ 765,32

CET anual aproximado

21,04% a.a.

21,70% a.a.

22,25% a.a.

Tarifas e seguros fictícios

R$ 200,00 de tarifa incorporada ao financiamento

Sem tarifa ou seguro no exemplo

R$ 300,00 de tarifa + R$ 300,00 de seguro incorporados ao financiamento

Total pago aproximado

R$ 18.191,17

R$ 18.287,33

R$ 18.367,59

Garantia

Não

Não

Não

Observação

Taxa mensal menor que a B, mas há tarifa.

Sem custos adicionais no exemplo.

Menor taxa mensal, porém custos adicionais elevam o CET.

Observação: as três propostas acima são inteiramente fictícias e servem apenas para explicar a comparação. Os cálculos consideram parcelas mensais fixas e os custos explicitados na tabela, sem tributos, atrasos, indexadores ou outros encargos. Não representam ofertas de mercado. A menor parcela, isoladamente, não define a melhor contratação.

Empréstimo com ou sem garantia

Algumas operações exigem um bem, investimento ou outra garantia. Um estudo divulgado pelo Banco Central encontrou relação entre a presença e a qualidade das garantias e as taxas cobradas em operações analisadas. Ainda assim, a garantia cria uma consequência importante: se a dívida não for paga conforme o contrato, o bem dado em garantia pode ser afetado. No caso de alienação fiduciária, por exemplo, o Banco Central explica como o bem fica vinculado à operação até a quitação.

Por isso, uma taxa menor não deve ser analisada separadamente do risco patrimonial. Compare o custo total e entenda exatamente o que pode acontecer em caso de atraso.

Como comparar pelo menos três propostas

  1. Peça o mesmo valor líquido em todas as instituições.

  2. Use o mesmo prazo para evitar distorções.

  3. Registre taxa mensal e anual.

  4. Anote o CET anual e os itens que o compõem.

  5. Confira o valor de cada parcela e o total a pagar.

  6. Verifique tarifas, seguros, tributos e despesas adicionais.

  7. Observe garantias, vencimento e regras para atraso ou quitação antecipada.

Se uma proposta usa 24 parcelas e outra 48, faça uma segunda simulação com prazos equivalentes. Só assim a diferença de custo fica mais clara.

Verifique se a instituição é autorizada

Antes de enviar documentos ou assinar, consulte o serviço Encontre uma instituição, do Banco Central. A ferramenta permite pesquisar instituições autorizadas, reguladas ou supervisionadas e verificar dados cadastrais.

Também confira se o site, aplicativo, telefone e conta de pagamento pertencem realmente à instituição consultada. Golpistas podem copiar nome, logotipo e aparência de empresas legítimas.

Sinais de golpe em ofertas de empréstimo

O Banco Central alerta para pedidos de pagamento antecipado como condição para liberar empréstimo, especialmente para contas de pessoas físicas. Também recomenda desconfiar de ofertas muito abaixo do mercado e de links enviados por SMS, WhatsApp, e-mail ou redes sociais. Em orientação publicada em julho de 2026, o Ministério das Comunicações também explica que mensagens por SMS, e-mail e aplicativos podem ser usadas em golpes de phishing para induzir o fornecimento de dados pessoais, bancários ou credenciais.

  • Não faça depósito antecipado para “liberar” o crédito.

  • Não informe senha, código de autenticação ou token por mensagem.

  • Evite abrir links recebidos de contatos desconhecidos.

  • Procure o canal oficial da instituição por conta própria.

  • Desconfie de pressão para decidir imediatamente.

  • Compare a proposta com condições de outras instituições.

O que conferir no contrato

Segundo o Banco Central, o documento deve trazer informações como taxas efetivas mensal e anual, tributos, tarifas e outras despesas, CET e critérios de cobrança em caso de atraso. O consumidor também deve receber uma cópia do contrato ou do título que representa a dívida.

Leia com atenção o valor efetivamente liberado, quantidade e vencimento das parcelas, juros, CET, seguros, tarifas, garantias, consequências do atraso e regras de quitação antecipada. O CDC assegura informação prévia sobre o direito à liquidação antecipada e não onerosa do débito; o Banco Central informa que o pagamento antecipado parcial ou total deve observar a redução proporcional dos juros conforme as regras aplicáveis.

Fluxo em sete etapas para comparar um empréstimo, desde a identificação da necessidade do crédito até a decisão após a leitura do contrato.

Checklist final antes de contratar

  • Defini a finalidade e o valor realmente necessário.

  • Testei se a parcela cabe no orçamento sem sacrificar despesas essenciais.

  • Comparei pelo menos três propostas com o mesmo valor e prazo.

  • Comparei CET, parcela e total pago.

  • Entendi tarifas, seguros, tributos e demais custos.

  • Li as regras sobre garantia, atraso e quitação antecipada.

  • Confirmei a instituição no Banco Central.

  • Não fiz pagamento antecipado para liberação do empréstimo.

  • Usei somente canais oficiais e protegi meus dados pessoais.

  • Guardei uma cópia da proposta e do contrato.

Depois de reunir essas informações, use os simuladores do SimulaAqui para organizar cenários de valor, prazo e parcela. A simulação ajuda a comparar alternativas, mas a decisão final deve considerar as condições reais apresentadas no contrato.

Referências

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